Artigo (A Tarde): 2016, o ano da mobilização

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Em 2016 precisamos descobrir segredos para não sermos condenados pelas previsões. Depois da pregação de muito planejamento e a defesa de mais estado e menos mercado, os governos do PT estão deixando o Brasil “no mato sem cachorro”, como bem descreve a sabedoria popular a situação de quem está perdido e não sabe para onde ir. Afinal, planejamento foi o que nunca existiu nesses anos petistas.

A aposta do PT tem sido sempre na espera de um futuro melhor. “A tirania injusta do acaso”, como diriam os autores do livro “De Zero a Um”, Peter Thiel e Blake Masters. Sem querer compreender que uma nação não é um bilhete de loteria, insistem em condenar mais de 200 milhões de brasileiros às ilusões dos sortilégios.

Na missão de reescrever a história à sua maneira, não reconhecem as jornadas trilhados pelos viajantes anteriores. Desprezam o fato de que a civilização humana se formou e desenvolveu a partir das experiências cumulativas dos indivíduos. Acham que sem nenhum esforço é possível iluminar os caminhos que nos levam a descobrir os segredos para fugirmos das previsões sombrias que os economistas nos pintam em quadros infestados de estrelas vermelhas.

Estamos começando um ano em que todos estão se movendo sem saber pra onde vão nem no que vai dar. O caos está presente em todos os cantos e, somente, a mobilização da grande maioria que não participou e não se beneficia desta “República da Mentira” pode dar início a um processo de reconstrução de uma sociedade justa e com oportunidades para todos.

Não podemos aceitar que em 2016 sejamos mais uma vez arrastados pela correnteza da lama de Mariana ou do Petrolão. Não somos folhas secas para sermos levados ao sabor dos ventos, nem podemos nos submeter à “tirania injusta do acaso”. Pelo contrário, nós podemos e devemos tomar o Brasil em nossas mãos.

Precisamos assumir atitudes e decisões firmes que sejam capazes de superar os obstáculos e as dificuldades, de forma que a sociedade submeta o governo aos seus interesses, aos interesses das pessoas, e ao fortalecimento do respeito à vida, à ordem, à liberdade e à justiça. É grande a apreensão de todos, mas é possível revertermos esse ciclo de decadência em que mergulhamos há mais de uma década.

Vamos transformar 2016 no ano da participação e do aperfeiçoamento humano, reafirmando os códigos morais que nos ensinaram a distinguir o bem do mal. Vamos nos libertar da armadilha da “era do sentimentalismo” que a propaganda oficial insiste em nos confinar, tentando nos impor o Partido que está no poder como a única autoridade em detrimento da Bíblia, das Igrejas, das famílias, das instituições do Estado, das palavras sábias, das lições herdadas, das verdades éticas, enfim, do passado e de sua bagagem histórica.

Cada um de um nós pode encontrar o seu caminho e participar de forma voluntária, inteligente e competente nas estruturas formais da política, seja em grêmios estudantis, associações ou sindicatos independentes, não capturados pelos tentáculos do governo petista. A Primavera Árabe e as grandes manifestações de rua que ocorrem no Brasil desde 2013 nos ensinaram que, mesmo na ausência da ação de partidos políticos, as redes sociais podem ser instrumentos de mobilização, capazes de derrubar governos rejeitados por esmagadoras maiorias insatisfeitas.

É hora de reconstruir e, para essa obra complexa, a principal matéria prima não é máquina, tijolo, ferro, cimento ou brita. O que se requer é gente disposta e interessada em realizar o sonho de um País onde se possa viver na verdade, na justiça e no amor. Portanto, nada mais apropria-do para fechar este artigo que os versos do baiano Raul Seixas: “Sonho que se sonha só / É só um sonho que se sonha só / Mas sonho que se sonha junto é realidade”.

Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 05/01/2016