Artigo (A Tarde): A interminável noite de horror das bruxas bastante humanas

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O tema da segurança pública não sai da pauta dos principais veículos de comunicação do nosso estado com uma sequência assustadora de casos de grande comoção na sociedade baiana. Nenhuma família, comunidade ou cidade escapa desse mal e é rotineira a sensação de insegurança diante dos seguidos casos de latrocínio, chacinas, sequestro, estupros, roubos etc.

A violência baiana segue fielmente o roteiro da escalada de crimes no Brasil dos 12 anos do PT e isso nos leva a enxergar que esse fenômeno é algo mais enraizado e complexo do que um simples problema de gestão pública local, que, por sinal, é desastrosa. São 12 anos de enfraquecimento da família, de manipulação de comunidades por braços do partido oficial e seus fiéis aliados do campo da esquerda, igualando tudo, sem deixar espaço para esperança ou senso de responsabilidade.

Tentam transformar a propriedade em inimigo de todos e as igrejas em forças auxiliares descartáveis, excluídas da vida cotidiana e usadas quando necessário pelo núcleo do poder central, destituído de qualquer convicção moral. O cultivo do hábito do trabalho e da participação ativa nas organizações comunitárias e religiosas foi sabotado para que não representasse ameaças ao projeto de dominação das massas populares.

A exemplo dos “lazzaronis de Nápoles” da Itália do Século XVIII, formaram-se exércitos entre os mais pobres, em muitos casos entre aqueles que vivem à margem da lei, para o uso em ações de interesse do comando supremo. A invasão da fazenda do ex-deputado Pedro Correia, quando ele, preso pela operação Lava Jato, ameaçava denunciar o chefe da quadrilha, é uma prova real disso.

O Brasil hoje enfrenta uma onda de violência nunca antes vista. Mais de 60 mil pessoas são assassinadas por ano. Somos um dos poucos países onde o consumo de cocaína cresce. Temos uma das maiores taxas de assassinatos de policiais do mundo. Sou testemunha de dois exemplos que caracterizam com clareza a simpatia do PT pelo crime. Um deles foi o voto apresentado em separado por eles na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara ao Projeto de Lei 174/2015, que aumenta a pena e estabelece pesada multa sobre furto e roubo no Código Penal.

Outro caso ocorreu quando votávamos o projeto 6999/13, que agrava a punição para o roubo de gado. Ora, o senso comum entende que roubo é roubo, mas o PT queria livrar da pena o ladrão que não comercializasse o produto. Ou seja, quem roubasse um boi para fazer um churrasco ou doar ao MST estaria livre do rigor da lei. Tivemos que apresentar um destaque que, sob minha orientação, foi vitorioso, derrotando o PT e o PC do B.

A insistência em relativizar o criminoso, colocando o indivíduo como vítima social, é o que chamo de política de apaziguamento do PT. Esse foi o termo usado em 1938 para explicar a fracassada manobra do primeiro ministro britânico Neville Chamberlain. Ele tentou passar a mão na cabeça de Hitler na invasão da Tchecoslováquia. O “PT apaziguador” propõe aliviar penas para bandidos, enquanto a sensação de impunidade cria um caos social em nosso país. O mais espantoso é que já começamos a ver esse discurso relativista sendo reproduzido pelos próprios bandidos. Virou rotina assistir a criminosos dizerem cinicamente que são “vítimas sociais”.

Baianos e brasileiros não podem admitir que “a tristeza mais violenta pareça uma emoção corriqueira”. Não podemos legar isso a nossos filhos e netos. Não foi isso que recebemos de nossos pais. Não é com coletes à prova de balas, viaturas ou blitz que isso será resolvido. A solução é extirpar o mal pela raiz. É preciso, pela via constitucional, afastar o PT do poder e restabelecer a ordem moral e econômica. Repor a luz na interminável noite de horror das bruxas bastante humanas cultivadas em nossa terra.