Artigo (A Tarde): A mãe dos ricos

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Um programa humorístico marcou o rádio e a televisão brasileira. “Balança Mas Não Cai” era o nome dele. Depois do grande sucesso radiofônico, foi adotado pela tevê e transmitido até 1983. Nele, eram apresentados vários quadros de humor com os moradores do fictício Edifício Balança Mais Não Cai. Pois, me vem à mente com nitidez um deles, quando penso no tema a ser tratado neste artigo.

“Primo Pobre e Primo Rico”, vale a pena revê-lo no youtube. Hilário era o encontro dos personagens, interpretados pelos atores Paulo Gracindo, o rico, e Brandão Filho, o pobre. Bastante cortês, Gracindo, no entanto, sempre arranjava um jeito de enganar o humilde Brandão, que nunca tinha qualquer apelo atendido pelo parente e acabava se dando mal nas histórias. O desfecho da piada causava risos. O cinismo do Primo Rico e a cara de bobo do Primo Pobre provocavam gargalhadas.

A lembrança deles desanuvia a mente para tratar de uma questão nem um pouco divertida. Muito pelo contrário. São preocupantes as consequências das irresponsáveis medidas da presidente Dilma Rousseff para reduzir as tarifas de energia elétrica, um populismo desmedido que se revelou um verdadeiro tiro pela culatra, cujos prejuízos agora começam a ser pagos pelo povo brasileiro.

O pior é que, pelo jeito, a exemplo do programa humorístico, quem sobra na história é o Primo Pobre, leia-se a Região Nordeste. Então vejamos. A composição do consumo de energia elétrica no país é o seguinte: 61% no Sudeste/Centro-Oeste; 17% no Sul; 15% no Nordeste; e 7% no Norte. O projeto de redução de tarifas da presidente Dilma, por meio da medida provisória nº 579/12 convertida na lei nº 12.783/13, teve na Região Nordeste a que mais contribuiu para a demagógica redução do custo energético para os brasileiros. Afinal, as usinas hidrelétricas da Chesf representaram 66% da energia reservada pelo governo federal para criar, em 2013, a ilusão dilmista.

A Robin Hood às avessas do PT tirou do Primo Pobre do Nordeste para favorecer o Primo Rico do Sul e Sudeste. Durante décadas, a Chesf teve sua atuação exclusivamente na Região Nordeste. As usinas que integram a companhia foram construídas na sua maioria na cascata do Rio São Francisco e abasteceram de energia elétrica por anos a fio os lares, o comércio, os logradouros públicos e as indústrias do Nordeste. Isso quer dizer que todo esse investimento foi pago pelo trabalho e suor do povo nordestino.

O desvario populista de Dilma revelou, no mínimo, um gesto de injustiça, desprezo pela região e ingratidão com seu povo, que tantos votos lhe deu nas eleições. Infelizmente a maldade perdura. Agora, em janeiro de 2015, a presidente vetou uma emenda aprovada no Congresso Nacional que possibilitaria a prorrogação dos contratos da indústria de base do Nordeste com a Chesf até 2042.

A canetada de Dilma prejudica contratos que possibilitam a criação de inúmeras cadeias produtivas na região e pode vir a comprometer o emprego de 145 mil nordestinos. As empresas ameaçadas ainda geram R$16 bilhões, por meio de sua produção, pagamento de salários e impostos. Cerca de 70% da energia desses contratos é consumida por indústrias na Bahia e os 30% restantes nos estados de Alagoas, Pernambuco e Ceará.

Ao contrário do genial Max Nunes, criador do hilariante programa humorístico, a presidente Dilma tem nos deixado angustiado com a tragédia de suas medidas irresponsáveis. É por essa e outras que ela balança, balança… No Congresso, vou continuar lutando pela renovação desses contratos para assegurar a competitividade da indústria nordestina e a sobrevivência da Chesf, de forma que o Primo Pobre ainda tenha um final feliz.

Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 03/03/2015