Artigo (A Tarde): As instituições no centro da disputa

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O próximo dia 26 de outubro não vai marcar apenas a eleição do Presidente da República, mas a possibilidade de restauração, ou não, de valores fundamentais à preservação da dignidade das pessoas e da liberdade com responsabilidade. O pior legado dos últimos 12 anos não foi a volta da inflação, a destruição da indústria, a corrupção ou o aparelhamento político das empresas estatais. Foi a desestruturação da sociedade e de seus pilares culturais.

As crenças foram modificadas e as instituições moldadas para incentivar o mais vil populismo, sem valores e sem princípios, tendo como único guia a preservação do poder. Nele mesmos os condenados, por usurparem o dinheiro público, são considerados como heróis, por serem companheiros da mesma causa.

A mentalidade revolucionária dos dirigentes do Partido os levou a utilizar das estratégias mais covardes, atropelando todas as instituições para se perpetuar no poder. Para ilustrar, temos o recente caso dos Correios. Em vez de ser guiada pelos princípios republicanos, a empresa estatal desviou-se de sua missão para atuar como aparelho de campanha da candidata do governo.

O Partido dos Trabalhadores utiliza, com fidelidade cruel, a estratégia de Antonio Gramsci de “desarrumar” a sociedade e as suas instituições para que seja possível aplicar conscientemente “de cima para baixo” os seus próprios valores que viabilizariam a sua perpetuação no poder. Atacaram os valores tradicionais que sempre deram certo no Brasil e no mundo.

Os ataques foram em todas as direções. Alvejaram a família como organização social tradicional do Ocidente ao tentar tirar o poder de decisão dos pais de como educar os filhos. Desmoralizaram as igrejas ao zombar de suas crenças. Pisotearam a estabelecida moral judaico-cristã ao tratar a ética como algo inalcançável ao brasileiro, assim como desprestigiaram a polícia ao tratá-la como inimigo da sociedade, a educaçao formal com o aparelhamento ideológico do ensino e até a filantropia ao transformar a palavra ONG em sinônimo de corrupção.

Em todos esses casos o Estado foi o agente causador, executando esses ataques de forma consciente e aparentemente desordenada no melhor estilo pregado pelo ideólogo Gramsci. Essa tática da “desarrumação” não tem muita novidade. É apenas uma reedição petista. Em 1872, Dostoievsky já relatava em sua obra “Os Demônios” o que seriam as primeiras ideias dessa estratégia sendo executada na Rússia pré-soviética.

No livro um revolucionário diz a outro: “Você sabia que já somos extremamente poderosos? Preste atenção. Já fiz a soma de todos eles. Um professor que, com as crianças, ri do Deus delas, é alguém que está do nosso lado. O advogado que defende o assassino educado porque ele é mais culto que suas vítimas… É um de nós. O promotor que, num julgamento, treme de medo de não parecer progressista o bastante é nosso, nosso… Você sabe quantos deles vamos conquistar aos pouquinhos, por meio de pequenas ideias prontas?”.

O que está em jogo é o destino do país. Seremos uma democracia moderna? Uma economia social de mercado com instituições fortes? Ou vamos trilhar o caminho da Venezuela? Quais instituições teremos? O que é controle social ou controle econômico da mídia? Acontecerá no Brasil o mesmo que aconteceu com o Grupo Clarín? A referência é a Venezuela do desabastecimento ou o Chile moderno?

A mente do brasileiro está, no presente momento, estabelecendo um processo de negociação entre os dados objetivos e os desejos, que são sempre muito difíceis de serem percebidos de forma racional na política. A mente política é uma mente emocional, nela não são processados cálculos desapaixonados, com dados colhidos de fontes racionas, de modo a serem tomadas as melhores decisões.

Ao ser eleito para o sexto mandato de deputado federal pela Bahia, eu levo para Brasília uma convicção ainda mais sólida: as instituições e os valores devem ser colocados no centro dos debates e das decisões políticas, porque eles são o alicerce no qual podemos construir e sustentar uma sociedade justa e humana.

Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 15/10/14