Artigo (A Tarde): Back in the game

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“Brazil is back in the game” (O Brasil está de volta ao jogo). Ouvi essa frase de um graduado diplomata americano em uma reunião na qual se discutiam as relações internacionais de comércio, no Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, quando lá estive integrando a comitiva do Congresso brasileiro que acompanhou as eleições presidenciais daquele país.

A sentença revelou uma percepção internacional alvissareira da prolongada e profunda crise brasileira, a pior da história. Apesar da penúria em que se encontra a situação fiscal da União, dos estados e dos municípios, os movimentos do Governo Temer, com o apoio do Congresso, despertam alguma esperança de lenta recuperação.

Mas as tensões e apreensões que pairam sobre a política nacional turvam os horizontes de nossa economia, que, para voltar a florescer, necessita de um ambiente onde prevaleçam a transparência e o entendimento. Nosso sistema político envelhecido e retrógrado está em descompasso com a opinião pública conectada em tempo real pelas redes sociais. O desentrosamento dificulta as mudanças essenciais para o fim da crise econômica.

Por outro lado, o festejado ativismo das operações do nosso sistema judicial, que tem na Lava Jato a mais visível das ações, está mostrando as entranhas da corrupção generalizada e sistêmica que tomou conta do País. Os resultados certamente serão, no longo prazo, de grande valor, mas não deixam de ser uma dança com fogo. Podemos estar à beira de uma grave crise institucional.

O diálogo é a única saída para o restabelecimento da confiança da sociedade nos governantes, atualmente em acelerado estado de decomposição, e assim evitarmos um confronto de resultados imprevisíveis. Esse diálogo precisa ser construído com respeito e sem radicalismos.

É importante assinalar que a Lava Jato já não pertence apenas à PF, ao MPF ou à Justiça Federal. Essa operação que depura o Brasil é de cada brasileiro cansado de mazelas que pareciam eternas. Não existe força capaz de deter a Lava Jato ou impor limites além daqueles fundamentais, previstos na Constituição e em nosso aparato legal. No entanto, todos os excessos devem ser rejeitados e nenhuma violação dos direitos individuais pode ser tolerada.

O Brasil tem pressa. E os mais de 12 milhões de desempregados aguardam avidamente a implantação de uma agenda capaz de recuperar o emprego e a prosperidade. As medidas a serem aprovadas em 2016, com destaque para a PEC do Limite de Gastos, são inegáveis avanços. Mas há ainda muito a se fazer, como as reformas da previdência, política, trabalhista e tributária, além do estabelecimento de limites e responsabilidades para a burocracia do estado na sua relação com as pessoas e as empresas.

 

Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 29/11/16