Artigo (A Tarde): Brasil, um país dividido

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Antes mesmo da posse do novo mandato, a presidente reeleita, Dilma Rousseff, herda um país dividido ao meio e envolto em crise moral, econômica e energética. Diante de um quadro de dificuldades e percebendo os obstáculos para perpetuar o seu grupo no poder, “Sua Alteza” apresenta a proposta de reforma política, inspirada no “Foro de São Paulo”, como panaceia para todos os males.

O Foro de São Paulo é uma organização fundada há 20 anos por Lula, Fidel Castro e outros líderes da esquerda que tem o objetivo de implantar um bloco único de poder na America Latina. Compõem o Foro diversos partidos latino-americanos de esquerda e até as FARCS, o que foi confessado pelo ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Por meio desse organismo, são traçadas estratégias e tomadas decisões comuns. Só a título de exemplo da influência que essa organização exerce no Brasil, no 19º encontro do Foro, em 31 de Julho de 2013, foi ratificado em ata que os governos participantes deveriam “gerar novos espaços de participação popular na gestão pública”.

A decisão foi acatada pelo Brasil, quando em 2014, a presidente Dilma publicou o Decreto 8.243 que cria os chamados “conselhos bolivarianos”. Por lei, somente essa submissão internacional já seria motivo para considerar ilegal o Partido dos Trabalhadores. Os empréstimos de bilhões que o governo brasileiro fez a Cuba só evidencia o tamanho da imoralidade desse conluio.

Como engenheiro, eu aprendi, ao longo de uma carreira extensa, que antes de se iniciar uma reforma é indispensável o estabelecimento dos objetivos, que, no caso da política, devem ser assentados em princípios morais e valores.

A metade do Brasil, que optou pela oposição, deve aceitar o diálogo com o governo, mas não pode ser submetida a decisões tomadas a partir de interesses que não sejam pátrios, por organismos ilegítimos, como o Foro de São Paulo. A intenção de promover uma reforma política no país, como anunciou a presidente depois de eleita, inspirada em experiências de países vizinhos de características autoritárias, não é a melhor forma de exercício da democracia.

A nação brasileira manifestou nessa última eleição insatisfação e desejo de mudanças. Não devemos esquecer que a crise moral, vivida pelo país, impõe medidas também a respeito do tratamento que se pretende dar ao escândalo conhecido como o “Petrolão”, no qual vultosas quantias da Petrobras foram desviadas para fins escusos e ilegais.

Nada pode substituir a dura reprovação penal e social dos que se aproveitaram da corrupção na estatal petroleira para enriquecimento ou para o financiamento das suas campanhas políticas. Não se pode construir nenhum tipo de união nacional fundada na cultura da irresponsabilidade, que pretende estabelecer um pacto onde todos os políticos são corruptos e as pessoas podem desfrutar de todos os direitos, sem nenhum dever e nenhuma responsabilidade.

Portanto, a primeira reconciliação que a Presidente reeleita deve buscar não é com os partidos políticos, mas com a sociedade que demonstrou, como nunca, uma profunda e irritada reprovação às práticas populistas que estão se aprofundando a cada dia, nos últimos doze anos.

A divisão que se manifestou no resultado das urnas no último domingo foi deflagrada ainda na abertura da Copa do Mundo. Reagindo às vaias à presidente Dilma, Lula invocou o discurso da luta de classes, apontando os “brancos e ricos” como os autores dos apupos a um governo voltado aos pobres. Essa acabou sendo a linha da campanha petista, que culminou no racha nacional.

Após a eleição existe um país dividido em classes, raças e credos. É a maior evidência de uma decadência moral muito mais danosa que um “PIB negativo” ou “inflação de dois dígitos”. Teremos em breve uma geração que só conhecerá o Brasil da divisão petista. Esse será o seu único mundo. Essa é a maior das maldades que se pode fazer com um povo. Mas a divisão não tem novidade. Faz parte de uma estratégia coordenada pela organização internacional da qual faz parte o PT: o Foro de São Paulo.

Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 28/10/2014