Artigo (A Tarde): Crise impõe inevitável mudança

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Crise econômica impõe mudança. E quando agravada por incapacidade política e falta de confiança, pior ainda. Tem sido assim ao longo da história. Não foi diferente com a Queda da Bastilha, em 1789, e o êxito da Revolução Francesa, marcada pela infeliz frase atribuída à rainha Maria Antonieta diante do faminto povo francês que protestava contra a falta de pão: “Se não tem pão, que comam brioches”.

Não teria sido outro o motivo do presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, quando na noite de 25 de dezembro de 1991, anunciou o encerramento de seu governo. Depois da Queda do Muro de Berlim, em 1989, esse ato praticamente consolidou o fim do regime comunista em sua matriz com repercussão em todo o mundo.

Desesperado com o miserê em que vivia o povo soviético, Gorbachev disparou uma mensagem para John Major, primeiro-ministro da Inglaterra e então líder do G-7, grupo das sete maiores potências mundiais. No lacônico comunicado, sintetizou para o premiê britânico a situação da União Soviética: “Caro John, socorro!”.

Eu aqui fico a refletir sobre o tamanho do problema que representa a queda de 3% do PIB brasileiro este ano, depois da retração de 2014 e a expectativa de que a nossa economia ainda encolha mais 3% no ano que vem. Inevitavelmente, por isso, já começou a faltar comida no prato de milhões de brasileiros que estão sendo vítimas do desemprego. E a maioria das demissões está atingindo os chefes de família, trabalhadores entre 25 e 49 anos.

Mas a tragédia está só começando. A inflação galopante, que já alcança o aterrorizante índice de 10%, não dá sinais de arrefecimento. Muito pelo contrário. A escalada é ascendente. E o pior, depois da energia e dos combustíveis, são os alimentos que estão puxando a carestia, com variações médias de 20% nos preços. Isso significa que, em uma família de cinco pessoas, mesmo com a preservação do emprego do provedor, um prato vai ficar vazio na mesa.

Afinal, em alguns casos, o desenvolvimento pode ampliar as desigualdades, em outros, não. Mas uma coisa é certa: a redução acentuada das riquezas totais produz sempre mais pobreza e desesperança. Ser uma sociedade mais pobre, como estamos nos tornando, representa para as pessoas afundadas na pobreza não apenas as privações presentes, mas o fim de perspectivas, principalmente para seus filhos, que, desiludidos, se tornam presas fáceis para todos os tipos de desvios.

Diante desta bisonha realidade que vem ganhando diariamente contornos cada vez mais desalentadores, não nos surpreendamos se a qualquer momento ouvirmos de nossa atual presidente da República, Dilma Rousseff, uma solução ainda mais absurda para o problema do que a pronunciada por Maria Antonieta no século XVIII, na França.
Enquanto Dilma não poupa recursos públicos em suas inócuas viagens que viraram um Febeapá (Festival de Besteiras que Assolam o País) internacional, finge-se que o tão necessário ajuste fiscal está sendo feito na própria carne com uma reforma ministerial meia-boca e a redução de 10% nos salários dos ministros. Mas permanecem intocados os mais de 20 mil cargos de apaniguados, que continuam pendurados nas tetas do governo.

Querem agora pagar a conta da esbórnia administrativa por que passou o Brasil nos últimos anos com a venda de patrimônio público e a volta da cobrança da CPMF. No caso da criação de novos impostos que onerem ainda mais a população, sou totalmente contra.

Equilibrar as finanças do país é urgente e possível com a racionalização dos gastos, assim como não dá mais para adiar as reformas estruturais, como a da Previdência. O Brasil precisa de mudanças em seu rumo e o primeiro passo é substituir o comandante que não sabe conduzir a nau e a leva ao naufrágio. Nesse caso, nossa Constituição provê a solução do impeachment.