Artigo (A Tarde): De volta ao trabalho

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Canta Milton Nascimento: “Todo artista tem de ir aonde o povo está”. Esse verso da bela canção Pelos bailes da vida serve de excelente conselho para todo homem público. Aproveito e parafraseio o poeta: “Todo político tem de ir aonde o povo está”. Faço isso pensando na importância do recesso para aqueles que, como eu, exercem atividades parlamentares.

Durante o recesso parlamentar, torna-se possível um contato mais direto com as pessoas. É quando a voz das ruas ressoa cristalina nos ouvidos dos homens públicos, comprometidos com a vontade popular. Eu me esforço para fazer parte dessa categoria de políticos. Por isso, não abro mão de, quando estou de volta à minha Bahia, visitar os amigos do interior e circular pelas feiras, parar nas pracinhas e dar dois dedos de prosa com seu fulano e dona sicrana.

Em Salvador, não é diferente. Na cidade onde resido com minha família, vou sempre à Ceasinha do Rio Vermelho, dou minhas caminhadas pela orla, que hoje está ainda mais bela e aprazível com as realizações do prefeito ACM Neto. Pego ônibus e vou ao Centro Histórico, à Igreja do Bonfim ou à Caixa d’Água, bairro onde vivi a infância e adolescência. Durante esses passeios, ouço as vozes da rua.

“Quando é que vocês vão tirar essa mulher de lá?”, pergunta alguém. Outro diz: “O que falta para Lula ser preso?”. Um terceiro acrescenta: “E Cunha e Renan?”. Muitas dessas indagações, se não literalmente, mas com o mesmo sentido, se repetem por onde passo. Muitas vezes, tenho chance de parar, conversar sobre os questionamentos, expor minha posição solidária e indignada sobre a situação. Manifestar meu compromisso de lutar pelas urgentes mudanças tão necessárias ao Brasil.

Noutras vezes, as palavras parecem que vêm com o vento. É alguém que acena e grita: “Aleluia, por que tanta demora em punir os políticos envolvidos no petrolão?”. Jamais podemos esquecer que vivemos sob o estado de direito. Portanto, seja no Congresso ou na Justiça, é necessário um processo e o acusado deve ter amplo direito de defesa. Mas não dá para negar que a impunidade está em via de extinção no país. Felizmente, o exemplo está sendo dado pelo poder que julga, o Judiciário. A Operação Lava Jato é uma prova disso. O Legislativo, dentro de suas atribuições, não pode ficar insensível a esta nova realidade.

“Quais são os próximos passos para o impeachment?”–é outra pergunta habitual nas minhas andanças. Na volta do recesso, será dado andamento à questão. A presidência da Câmara Federal arguiu o Supremo sobre a decisão da Corte para o rito do processo de afastamento da presidente Dilma. Isso vai ser definido logo para que seja mantido o prazo de ainda em março o tema ser votado no plenário. Daí vai para o Senado.

Na Ceasinha ou nas feiras do interior, é muito comum ouvir: “Por que tudo está cada dia mais caro?”. O fato é que a inflação está de volta a assombrar os cidadãos brasileiros. As irresponsabilidades financeiras dos governos petistas es-tão agora a apresentar a conta ao povo, que vê seu salário valendo menos, quando ainda não é vítima do desemprego.

“O governo não tem saída, e a oposição não tem solução”. O ceticismo popular quanto aos oposicionistas também se manifesta nas ruas. É compreensível. Mas aqueles que são representantes do povo, como eu, precisam ter respostas convincentes para questionamentos, como: “Por que esse Congresso aceita tudo que vem do governo?”.

Não aceitamos e vamos ter a oportunidade de demonstrar isso com a rejeição da volta da CPMF, solução da presidente para seus rombos no erário. “O governo Dilma não tem mais credibilidade para tirar o país da crise”. Essa afirmativa muito ouvida durante o recesso vai me guiar nesta volta ao trabalho de representar o povo baiano no Congresso Nacional.

Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 02/02/2016