Artigo (A Tarde): Nunca prometa um jardim de rosas!

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Milhões de brasileiros estão sendo torturados pelo desemprego e sofrendo com a inflação a corroer seus salários. Muita gente está a perder o sono, angustiada com a possibilidade de acordar sem condições de manter suas famílias. O desespero invade os lares. Quem será a próxima vítima?

A gravidade aumenta quando as políticas de um governo sem credibilidade tornam a situação ainda pior, com corte de investimentos, manutenção de despesas e até mesmo incremento de gastos apenas para atender a alguns interesses corporativos.

O governo de Dilma toca uma nota só: afagar os aliados, com o propósito de fugir do impeachment. E muito desafina quando insiste em evitar a nudez moral do verdadeiro chefe do desastre programado e meticulosamente implementado nos últimos 13 anos. Além disso, joga a conta do fracasso para a população com a elevação de impostos.

Esse desastre que alcançou em cheio os brasileiros em 2015 não surgiu subitamente. Foi produzido a partir de 2003 e certamente ainda causará consequências drásticas em longo prazo. Além de ter destruído a nossa estrutura produtiva e fragilizado as instituições, com incursões no Legislativo e no Judiciário, deitou profundas raízes na cultura nacional e comprometeu violentamente os valores éticos e morais das pessoas e das organizações públicas e privadas.

É preciso que a presidente Dilma, o seu chefe Lula, o PT e os comunistas compreendam que não se pode enfrentar uma depressão econômica em marcha acelerada com a firme determinação de continuar fazendo o pior. Ao chegarmos ao 14º ano do lulopetismo, o que se vê é uma sequência de ministros propondo ajustes econômicos que não são compartilhados pela atual presidente.

A consequência é um avanço acelerado na liquidação dos empregos, do valor das empresas, do mercado imobiliário e, até mesmo, o agronegócio não passa incólume a essa devastação. Existe uma grande diferença entre falhar por não conseguir fazer o suficiente das coisas certas e a determinação de seguir fazendo muito do que está errado.

A fragilização da economia e a desagregação da sociedade e das famílias seguem como uma epidemia, contagiando todas as pessoas e grupos, na mesma velocidade com que o mosquito Aedes aegypti espalha dengue, zika e chikungunya, pestes que não deixam de ser resultado da mesma central de produção de erros em massa.

Não foram poucas as vezes que o lulopetismo foi advertido sobre o gigantismo do estado predador por ele estimulado. Um monstrengo, que além de se servir, sem praticamente nada construir, de mais de 38% da soma total das riquezas produzidas no país, vem se especializando em destruir empregos e empresas, com todo tipo de constrangi-mento e de achaque.

Estamos no curso de um círculo vicioso, combinando acentuada e prolongada recessão econômica, desemprego, inflação e a perda das mínimas condições de liderança do governo federal. As privações, a desilusão e a falta de confiança inevitavelmente afetam os costumes e as tradições. Tornam a nação um corpo vulnerável, sem imunidade para reagir à especulação, à xenofobia, aos aproveitadores e extremistas.

As desigualdades aumentam e as oportunidades desaparecem, sobretudo para os jovens. Não esqueçamos que esse foi o fermento que produziu a Primavera Árabe. Diante de tantas tensões, tudo pode acontecer. Até mesmo a insistência irracional e perversa de a presidente Dilma permanecer no Palácio do Planalto.

Mas só mesmo a sua total falta de experiência política e o narcisismo político do seu patrão Lula podem fazer a atual mandatária da República insistir em prosseguir com um governo morto e insepulto. Por isso, depois de uma campanha que pro-meteu um jardim de rosas, mas está le-vando o país a um atoleiro sem fim, só lhe resta a renúncia, presidente Dilma!