Artigo (A Tarde): O flagelo do populismo ou o fim do mundo novo

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As manifestações populares nas ruas, ratificadas pelas pesquisas de opinião, expressam a repugnância brasileira pela falta de moral política no ciclo populista que se instalou no país há mais de uma década. Insustentável e falaciosa, tal estratégia de poder apresenta hoje sinais de falência múltipla.

Amparados por um verdadeiro sindicato do crime, os ocupantes do poder, fundados na mentira, no suborno e na propaganda enganosa, pretendiam mudar tudo, como se as mudanças por si mesmas fossem boas. Em sua ambição desmedida, pretenderam mudar até o povo, abandonando sua cultura, reformando suas ideias, suas leis, seus costumes e seu vocabulário, com o propósito de destruir tudo para construir o novo mundo.

A pior herança legada por esse período é a degradação moral das pessoas e da sociedade. Por todos os meios, a cultura oficial procurou sempre iludir o cidadão brasileiro com a possibilidade de eximir-se de qualquer responsabilidade pelo comportamento pessoal e coletivo. Na verdade pretenderam inventar a terceirização da responsabilidade.

Nada acontece por acaso. O flagelo do populismo e o fim do mundo novo se dão como consequências de uma obra construída por 12,5 anos sobre alicerces antidemocráticos. O PT destruiu valores raros que foram construídos por séculos e a duras penas na sociedade brasileira. Fez o que é de costume àqueles arrogantes e pretensiosos que pensam que podem planejar e ditar o destino do mundo, mas destroem sem nada construir no lugar.

Conheci muito bem José Dirceu. Convivi com ele no Parlamento. Dirceu não é um simples negocista. De fato, ele é um comandante revolucionário. Pode até ter se beneficiado de alguns assaltos que comandou a serviço do chefão e ficado com pequena parte do botim para a satisfação pessoal e familiar, mas o grosso do assalto aos cofres públicos foi, sem dúvida, para servir aos propósitos do Foro de São Paulo, apelidado pelo falecido venezuelano Hugo Chávez de “socialismo do século XXI”.

Se a conquista do poder pela esquerda se tornou inexequível pelas armas depois da queda do Muro da Berlim, os partidários dessa causa populista e totalitária resolveram então trilhar o caminho das eleições corrompidas e do uso da força organizada em exércitos travestidos em movimentos sociais, financiados com dinheiro público lícito e ilícito

O objetivo do Foro de São Paulo é estabelecer um Estado hipertrofiado, que deve controlar, oprimir e conter as pessoas com a artilharia da tecnologia digital e com a infantaria dos exércitos disfarçados em movimentos. Um verdadeiro monstro sociológico, quase um confinamento de gado em escala continental.

O Foro é um projeto de destruição da soberania nacional. É a incorporação do internacionalismo esquerdista, que coloca a nação como uma instituição “burguesa” e desnecessária. Isso está na ata do I Encontro em Havana: “…nos lançamos à marcha, seguros de que o espaço que agora abrimos será preenchido junto às demais agrupações da esquerda latino-americana e caribenha com novos esforços de intercâmbio e de unidade de ação como alicerces de uma América Latina livre, justa e soberana”.

Esqueceram-se de combinar com o povo, que agora reage nas ruas. O Brasil acordou e se deparou com uma presidente fantasma, como disse o saudoso deputado Ulysses Guimarães, no último dia de Collor: “um fantasma que aumenta a inflação, provoca desemprego e enxovalha o nome do nosso país mundo afora”

Submeter os brasileiros a mais três anos de tortura e exposição ao vírus do populismo seria de um requinte de perversidade digno dos piores filmes de terror. Mesmo no presidencialismo, a nossa Constituição sabiamente define saídas de emergência para os casos de pânico e ameaça à integridade das pessoas e das instituições. Faça-se a lei.

Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 01/09/15