Artigo (A Tarde): O poder de escolher

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Depois que nascemos, a vida é uma sucessão de escolhas. Desde o picolé que escolhemos o sabor na infância, ao time de futebol, à profissão que vamos seguir, em quem vamos votar ou com quem vamos casar. Assim continuamente fazemos opções no nosso dia-a-dia, algumas vezes banais outras fundamentais. Neste momento, todos nós vivemos a expectativa da escolha entre um governo que caiu de podre ou de um novo projeto que recoloque o Brasil nos trilhos.

O poeta americano Archibald MacLeish acerta quando diz que “liberdade é o direito de escolha, o direito de criar para si próprio alternativas de escolha”. Conclui ele: “Sem a possibilidade de escolha um homem não é um homem e sim um número, um instrumento, uma coisa”. Não foi pensando diferente que, em 1992, eu votei pelo sim do impeachment do presidente Collor.

Naquele momento, assumi os riscos de seguir a voz das ruas, de meus familiares, de meus vizinhos, ainda que aquele caminho pudesse me levar ao encerramento de uma carreira política ainda em seu alvorecer. Era o meu primeiro mandato de deputado federal. Na ocasião, divergi de meu partido e escolhi ficar com o meu país.

Quando, diante de tantas mazelas e sofrimento, o povo brasileiro, ainda em 2013, começou a ir à ruas, culminando em mais de 6 milhões de manifestantes no último 13 de março, foi sinalizada a necessidade de darmos uma resposta enfática e afirmativa à pergunta: devemos agir ou permanecer passivos?

Não houve hesitação. Ao agir, ir para as ruas, os brasileiros apontaram o caminho da mudança e assumiram o comando de maneira bem mais firme do que em 1992, influindo e moldando a conduta dos seus representantes. Isso se deu mesmo sem a Constituição contar ainda com dispositivos mais veementes para pressioná-los, como o “mandato imperativo” ou o “recall”, que permite ao eleitorado cassar e revogar o mandato de qualquer representante político.

Nem o mais astuto observador da vida nacional poderia prever que, ao decidir intervir de forma contínua no ambiente político, o povo brasileiro estivesse hoje no controle das ações, induzindo o comportamento dos agentes públicos diretamente responsáveis pelas decisões que se avizinham.

O protagonismo do povo, em sua imensa maioria, apoiado nos movimentos de rua e nas redes sociais, reafirma, na era da informação, a noção de que as escolhas são um poderoso instrumento de conexão humana e que permitem a difusão do diálogo sobre liberdade e esperança.

É hora de os parlamentares perguntarem a si próprios: “Quando faço minhas escolhas, em primeiro lugar, levo em consideração as minhas vontades, aquilo que me faz feliz, ou devo considerar o que é melhor para mim e principalmente para as pessoas que represento?”. Não há dúvida de que o Brasil deverá ser a escolha, embora alguns possam virar a cara para o povo, deslumbrados com as benesses espúrias oferecidas por um governo sem credibilidade e imerso na corrupção.

Não tenho dúvida de que o nosso país vai sair desse processo um Brasil diferente. Construiremos uma nova história, na qual iremos recuperar um estado que será entregue completamente quebrado pelo PT. Foram 13 anos de destruição das finanças públicas. Nem a Petrobras se salvou para contar a história. Os ativos de nossa maior empresa estatal não pagam nem 15% de sua dívida.

O novo governo a ser erigido terá a força da união dos brasileiros. Ninguém se engane da capacidade de Michel Temer de liderar este novo capítulo da história do Brasil. Já estive perto do vice-presidente. Fomos colegas na Câmara Federal. Temer, asseguro, tem muito mais condições de reunir apoio político do que teve Itamar Franco em 1992. Ele é a nossa melhor opção para tirarmos o país do buraco o mais rápido possível.

Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 12/04/16