Artigo (A Tarde): Odoyá! Iemanjá!

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“Dia 2 de fevereiro/Dia de festa no mar/Eu quero ser o primeiro/pra salvar Iemanjá”. A canção do genial e saudoso Dorival Caymmi retrata a homenagem à Rainha do Mar na capital baiana nesta data, quando também em todo o País se iniciam os trabalhos legislativos. Em Brasília, o ano de 2017 promete ser histórico para o Congresso Nacional.

Na Câmara Federal e no Senado, estarão na pauta as reformas da previdência, trabalhista e tributária. São questões urgentes que não dão mais para serem postas embaixo do tapete. É hora de encarar os problemas e resolvê-los democraticamente, observando sempre a necessidade de inaugurar um novo tempo sem privilegiar qualquer corporação.

Enfim fazer valer o estado republicano, no qual o princípio da igualdade prevaleça sem qualquer mistificação. Vamos discutir a reforma da previdência pensando no presente e calculando o futuro, buscando corrigir as falhas do passado.

É imprescindível atualizar a legislação trabalhista para destravar a geração de empregos. Neste Século XXI, estuário de tantos avanços tecnológicos, não podemos mais ser guiado por uma ideia de relação capital/trabalho baseada em conceitos obsoletos, como o da luta de classes.

A qualidade dos gastos públicos precisa ser uma prioridade com o propósito de eliminar desperdícios e desonerar a sociedade. A reforma tributária deve se mirar na simplificação da arrecadação e no equilíbrio da distribuição dos recursos entre União, Estado e Município, sem desprezar a premência de aliviar a carga para o contribuinte.

O Congresso Nacional se depara com grandes responsabilidades num momento em que inegavelmente a representação política sofre a mais alarmante perda de credibilidade. Talvez, até por isso, seja esta a grande oportunidade de a Câmara e o Senado demonstrarem que o interesse nacional está acima de tudo.

Passa por cada um de nós, representantes do povo brasileiro em Brasília, em sintonia com o anseio da sociedade, criar as condições reais para a superação da mais longa crise econômica da história nacional. Paliativos já não cabem mais. Não temos mais tempo a perder. O Brasil precisa cumprir o seu destino de grandeza.

Como bom baiano, que sempre que possível participa da Festa do Rio Vermelho desde a juventude, eu peço a benção e a proteção de Iemanjá neste dia 2 de fevereiro, quando estarei em Brasília, reiniciando a labuta parlamentar por melhores dias para o Brasil e minha Bahia. Odoyá! Iemanjá!

E canta Caymmi: “Eu mandei um bilhete pra ela/Pedindo pra ela me ajudar/Ela então me respondeu/Que eu tivesse paciência de esperar/O presente que eu mandei pra ela/De cravos e rosas vingou/Chegou, chegou, chegou/Afinal que o dia dela chegou/Dia 2 de fevereiro/É dia de festa no mar!”