Artigo (A Tarde): Passar uma tarde em Itapuã

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Tarde em Itapuã, a ode de Vinícius de Morais, musicada por Toquinho, a um dos mais belos recantos desta velha Cidade da Bahia, tocou no meu subconsciente para ser a trilha sonora deste artigo. Na última sexta-feira, fui à inauguração das obras realizadas pelo prefeito ACM Neto naquele pedaço especial da belíssima orla da primeira capital do Brasil, que, além do Poetinha, tanto inspirou o notável baiano Dorival Caymmi.

Naquela tarde, sentado num banco de praça, fui arrebatado pelas lembranças da infância e adolescência, quando, com minha família, veraneava em Itapuã. Naquele tempo esse paradisíaco local não era tão perto. A minha primeira ida lá foi de caminhão pela Estrada Velha do Aeroporto, rodovia construída pelos americanos durante a Segunda Guerra Mundial, nos anos 1940.

Com a chegada do Verão, nas férias escolares, íamos de mala e cuia passar, no mínimo, um mês em Itapuã. Eram os anos 1950/1960. Ficávamos numa casa a 100 metros da praia da Sereia. Da janela víamos “o mar que não tem tamanho” e “o encontro de céu e mar”, cantados por Vinícius. Na hora de dormir, a fresca do “vento que a noite traz” embalava o nosso sono.

Itapuã era uma festa para a garotada. Era o dia inteiro na praia, nadando, mergulhando, jogando bola e pescando. Na hora da puxada de rede, então, era uma farra ajudar os pescadores e depois ser premiado com peixes que a gente mesmo fritava e se lambuzava, comendo-os. Rolar nas dunas da Lagoa do Abaeté e do Morro do Vigia era tão emocionante quanto descer uma montanha russa. À noite, ainda tinha o passeio pela praça da igreja e as piscadas e olhares trocados com as garotas.

Eu entrara no túnel do tempo sentado naquele banco, mas voltei à realidade com o burburinho e o movimento das pessoas em torno da presença do prefeito ACM Neto para a inauguração das obras. Esse jovem, cuja carreira política eu acompanho desde o início, mais uma vez dava provas de sensibilidade e amor pela nossa cidade. Sem a ajuda dos governos estadual e federal, com recursos próprios do município, Neto vem dando uma cara nova a Salvador e trazendo de volta a alegria de seu povo.

As ações do prefeito mais bem avaliado do país, segundo todas as pesquisas de opinião, contemplam todo o território soteropolitano. Mas a nossa singular orla marítima que estava abandonada tem merecido um tratamento especial. Na última sexta, foi a vez de Piatã e Itapuã. Mas a realidade já é outra em São Tomé de Paripe e Tubarão, no Subúrbio Ferroviário, na Ribeira, na Barra, em Jardim Armação, na Boca do Rio e daqui a pouco no Rio Vermelho.

ACM Neto, como me disse um amigo, está devolvendo a cidade a toda a população. “Acabaram-se os guetos”, afirma ele. Mas nem tudo pode ser perfeito, porque o maior problema da capital da Bahia hoje, a falta de segurança pública, é de responsabilidade do governo estadual. Mas, peraí, porque para esse problema também há solução e o povo da Bahia vai saber resolvê-lo na hora certa. Prefiro aqui assinalar o que pode ser feito pela nossa cidade sem depender de governos estadual e federal.

Por exemplo, o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), que tive a honra de iniciar a discussão, quando fui secretário de Urbanismo e Transporte, está na ordem do dia. É por meio do PDDU que poderemos potencializar com a participação da iniciativa privada os investimentos públicos realizados e planejar uma cidade melhor para o futuro de todos.

Respeitando a história de lugares mágicos, como Itapuã, é possível com uma legislação inteligente, que não engesse o progresso sustentável, deixar toda a magnífica orla da primeira capital do Brasil ainda mais bela para orgulho de todos os baianos. Rumo a Salvador 500 anos.