Artigo (A Tarde): Por que demoramos tanto pra perceber?

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O Brasil e o mundo assistiram na semana passada a uma comissão pluripartidária de senadores brasileiros ser escorraçada da Venezuela. Além da agressão ao nosso país, a cena dos representantes da Alta Câmara nacional sendo hostilizados por milícias bolivarianas e impedidos de cumprir a missão democrática de visitar os presos políticos venezuelanos revelou as garras da truculenta e repugnante ditadura do presidente Nicolás Maduro.

Ao tomar conhecimento do atentado aos valores democráticos e da violência e humilhação sofridas pelos representantes brasileiros, imediatamente, toda a oposição foi à tribuna do Congresso Nacional, cobrar uma atitude da presidente da República, Dilma Rousseff. Infelizmente, pela falta de reação à altura da ofensa feita ao Brasil, ficou evidente certa cumplicidade do atual governo brasileiro com a ditadura venezuelana, o que não me surpreendeu.

Há algum tempo, venho denunciando o Foro de São Paulo. Essa entidade supranacional, criada por Lula e os ditadores Fidel Castro e Hugo Chávez, tem como objetivo submeter as nações latino-americanas, pelas vias do populismo, a um poder totalitário, sem espaço para a democracia. O episódio com os senadores brasileiros na Venezuela mostrou a milhões de brasileiros o real perigo imposto pelo Foro de São Paulo, nutrido e seguido por nosso governo a 12,5 anos.

A era Lulopetista inverteu a máxima do Barão do Rio Branco, que dizia: “em todo lugar, o Brasil em 1º lugar”. Esse lema do Itamaraty mudou com o assessor para assuntos internacionais da presidência da República, Marco Aurélio Garcia. Passou a valer: “em todo lugar, o Foro de São Paulo em primeiro lugar”. Abandonamos uma política externa de prudência e eficiência, reconhecida internacionalmente, por uma diplomacia de aventura e sonhos megalômanos, como a tentativa frustrada de ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU.

Desde 1990, quando criado em Havana, o Foro de São Paulo vem discretamente e sorrateiramente construindo uma articulação internacional entre os partidos de esquerda da América Latina e organizações criminosas, como as Farcs. Essa ação segue o internacionalismo, um dos princípios básicos do pensamento de esquerda, anunciado por Karl Marx, no Manifesto Comunista: “Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos”. Essa é uma premissa na qual a pátria deve ser descartada.

Para o Foro de São Paulo, o Brasil não é relevante. Mais importante é a “Grande Pátria”. Por isso, não deve ser outro o motivo para se dilapidar o fundo de pensão dos Correios com investimentos arriscados em negócios suspeitos na Venezuela. Ou mesmo, desviar recursos públicos para o financiamento de campanhas políticas de aliados em toda a América Latina, quando estão paralisados, na Bahia, o Porto Sul e a Ferrovia Oeste-Leste.

O rei está nu. Não podemos esquecer que, em 1933, muitos judeus e outras pessoas honestas e defensoras da democracia, como os conhecidos apaziguadores ingleses e americanos, permaneceram passivos diante da ascensão de Hitler e a evolução de suas atrocidades. A história costuma se repetir. Em 2007, eu mesmo ouvi de um importante funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos que Chaves era inofensivo, por se tratar de um fanfarrão. Hoje estamos diante da tragédia venezuelana que se alastra por toda a América Latina.

Quando um ex-presidente se refere ao MST, um movimento de bandoleiros sociais, como “um exército”, o sinal amarelo acende. Quando o mesmo personagem continua em liberdade, depois de criticar o próprio governo que apoia, chamando-o de “frouxo”, por não obstruir o trabalho do Ministério Público Federal, da Justiça Federal e da Polícia Federal, espoca o sinal vermelho. Estamos, no mínimo, na antessala do Chavismo, e diante de um Lula-lobo disfarçado de Lula-cordeiro!

Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 23/06/15