Artigo: Tolerância zero contra o crime

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O apagão da segurança pública na Bahia é um fato inegável. Nos últimos sete anos e meio, mais de 36 mil baianos foram vítimas de homicídios, número de mortes superior ao de muitas guerras contemporâneas. Lamentável realidade sem precedentes na história da outrora “Terra da Felicidade”, que um dia inspirou Ary Barroso a compor a belíssima canção “Na Baixa do Sapateiro”.

Fico a imaginar o compositor mineiro, nascido em Ubá, de volta a Salvador nos dias atuais. Qual seria a inspiração que ele teria para compor uma nova canção, passando pela Baixa do Sapateiro? Outro dia nesta mesma localidade houve a explosão de caixas eletrônicos de um banco. Já foram mais de 150 neste ano no estado. Assaltar agências bancárias se tornou tão banal quanto os baianos vestirem branco às sextas-feiras no tempo em que Ary Barroso encontrou “a morena mais frajola da Bahia”.

Mas qual será a causa dessa descontrolada violência e criminalidade que assola toda a Bahia? Seria apenas a ineficiência da política de segurança pública do atual governo estadual decorrente de sua notável incapacidade de gestão ou existiria algo mais profundo como justificativa?

Alguns autores consideram haver uma relação simbiótica entre os partidos de esquerda e o crime. Admitem que, diferentemente do que prega o ensino oficial, em 1789, a Queda da Bastilha não tinha o objetivo de libertar os presos políticos, mas todos os tipos de marginais que pudessem fortalecer a base da Revolução Francesa e desestabilizar o regime monárquico. O próprio ato da queda foi realizado com a ajuda de meliantes.

Alguns revolucionários deixaram registros em cartas de que: “(…) sem a decisiva participação da ‘canaille’ não teria havido a queda da Bastilha, nem a revolução de fevereiro de 1848, em Paris, com seus milhares de manifestantes incendiando as ruas, num quebra-quebra que terminou por forçar Luís Filipe à abdicação do trono”.

Na Revolução Russa, em 1917, não foi diferente. Para a desestabilização do império czarista, o comunista Lenin instruiu seus camaradas a incitar a ação dos criminosos. Sob esse outro ângulo da história, podemos observar uma possível origem do pensamento contemporâneo da esquerda sobre a segurança pública, que hoje nos impacta diretamente.

Ideólogos da esquerda acreditavam que os bandidos também fariam parte da base revolucionária e, por isso, os mesmos não deveriam ser punidos. Chamavam esse procedimento de “tolerância libertadora”. Outros pensadores, ditos revolucionários, consolidaram e justificaram essa “tolerância libertadora”.

Para eles, o ser humano nem mesmo pensa, é “pensado” de acordo com a linguagem. Colocaram uma pá de cal em qualquer resquício de senso de responsabilidade individual que poderia existir. Abriram as portas para a impunidade, justificando “pacificamente” qualquer barbaridade cometida pelos bandidos aos cidadãos de bem.

Não é raro vermos a leniência e a complacência com que os bandidos são tratados em governos como o da Bahia, que se diz de esquerda. Nunca o problema é encarado diretamente sob o fundamento da impunidade. Sempre que podem, tangenciam com explicações sociológicas difusas, desviando a questão de seu ponto crucial. A responsabilidade individual é deixada de lado e os índices de criminalidade explodem. Quem paga a conta é o cidadão de bem.

Chega-se ao desplante de a senadora do PT Ana Rita, do Espírito Santo, propor projeto de lei pela não punição do furto, com a argumentação de ser legítimo furtar quando se convive com uma forte propaganda de estímulo ao consumo e não se tem condição de comprar a mercadoria.

É indiscutível a situação alarmante da segurança pública na Bahia, com o governo completamente sem controle de um problema que vem se agravando exponencialmente nos últimos sete anos e meio. O clima de impunidade só estimula as cada vez mais ousadas ações dos criminosos. Diante da proximidade das eleições, é imperativa a discussão com profundidade da segurança pública. Não apenas modelos de gestão, mas também princípios e valores que orientem as medidas a serem adotadas contra o crime.

Artigo publicado na edição do dia 22/07/2014 do jornal A Tarde