Bruno Alves: O secretário que não viu a banda passar

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“Alguma coisa está fora da ordem”. O refrão da canção de Caetano Veloso toca em minha mente ao ler o artigo “Ocupando tudo”, do secretário estadual de Cultura, Jorge Portugal. É mesmo de estranhar que um agente do estado estimule a ocupação das escolas. Curioso que o proponente seja ele mesmo um educador. Mais surpreendente ainda é lembrar que esse mesmo educador tenha se aproveitado num passado recente de uma greve de professores para promover “aulões” bem recompensados pelo dinheiro público, cuja falta era alegada para não atender à reivindicação salarial do corpo docente da rede estadual

Na condição de educador, Jorge Portugal deveria estar preocupado com a falta de qualidade da educação no país, que só fez piorar nos 13 anos e oito meses do PT no comando nacional. Ele não consegue apontar nada de eficaz feito nesse período. Prefere incentivar a juventude a ser contra a MP 746/16, que propõe a reforma do ensino médio. O conterrâneo de Caetano se equivoca também ao apelar a um dito que soa bastante anacrônico: “Os estudantes são a banda de música da revolução”. Depois do aparelhamento total pelo PT e cia. de entidades estudantis, como a UNE e congêneres, só posso imaginar que o nosso secretário não viu a banda passar.

Será que o secretário de Cultura desconhece que o governo do PT, antes de ser destituído pelo impeachment, como prevê a Constituição Federal para casos de irresponsabilidade fiscal, cortou R$ 10 bilhões do orçamento da educação no ano passado?

Se a PEC 55 ou PEC 241 estivesse vigente, não seria possível este atentado ao futuro dos jovens brasileiros, porque a contenção dos gastos teria que atingir outras áreas menos essenciais. A educação e a saúde estariam blindadas.

A galera, secretário, está querendo ter uma perspectiva profissional. Estudar, se formar e trabalhar. Contribuir para que o Brasil cumpra o seu destino de ser grande. Não mais cair em contos de vigários que lhe prometem o paraíso e lhe entregam o inferno do desemprego crescente de mais de 12 milhões de brasileiros