“O governador Rui Costa tem sido infiel ao governo federal”

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Confira entrevista exclusiva à Tribuna da Bahia:

Presidente do Democratas na Bahia, o deputado federal José Carlos Aleluia acredita que as reformas propostas pelo presidente Michel Temer serão fundamentais para colocar o Brasil no rumo do crescimento econômico. Em entrevista exclusiva à Tribuna, Aleluia falou sobre as ações do governo Michel Temer, as investigações da Operação Lava Jato e a possibilidade de sair candidato ao governo do estado em 2018. Para ele, a Lava Jato é muito positiva para o Brasil, que precisava passar por isso.
“É preciso melhorar os padrões éticos da política, é preciso ser rápido para punir quem tem que ser punido e voltar os empregos. A Lava Jato não é responsável pelo desemprego, mas é claro que ela causa alguns incômodos nas empresas, e as empresas precisam ser reorganizadas. Mas ela é necessária e precisa do apoio de todos”. Questionado sobre o principal erro e o principal acerto do presidente Temer e a sua equipe até agora, Aleluia diz que maior feito do governo “é ter coragem de encarar as reformas econômicas. Os erros do governo são consequências da proliferação partidária e do fisiologismo que impera no Congresso”.

 
O democrata ainda avaliou o governo petista de Rui Costa no estado e classificou a gestão estadual como “medíocre”. Segundo ele, Rui tem sido infiel ao governo federal. “É um governo que não consegue enfrentar as questões essenciais da existência do estado. Segurança pública na Bahia, não só em Salvador, mas em todo o estado, é uma lástima, um desastre. O governador não priorizou a paz das pessoas. É um dos pontos mais negativos do governo”, afirmou Aleluia. Confira a entrevista completa:

 
Tribuna da Bahia – O governo Temer tem que aprovar medidas amargas e entre elas as reformas da Previdência e Tributária. Na visão do senhor, qual a estratégia do governo e do Planalto para conseguir isso?

 
José Carlos Aleluia – Deixar muito claro para a imensa maioria da população que o Brasil nos últimos dois anos teve uma queda de 10% da riqueza pessoal, a renda média das pessoas, tem quase 13 milhões de desempregados, a mais profunda recessão da história econômica do país e a única forma de sair é fazendo mudanças. Uma delas é na Previdência, para beneficiar os mais pobres. A previdência brasileira é especialmente boa para os que têm empregos fixos e vitalícios e extremamente perversa para aqueles que trabalham em vários empregos ao longo da vida, têm remuneração menor e, por tanto, sofrem muito. É preciso fazer ajustes. A reforma da Previdência é uma reforma socialmente justa, por isso o governo tem que comunicar a ideia de que é uma reforma para distribuir renda, distribuir justiça. A outra reforma importante é a reforma Trabalhista. O sistema de relações do empregador e do empregado no Brasil é um sistema viciado e doente. Para se ter uma ideia em números, um país como a França tem em média sessenta mil ações trabalhistas por ano. No Brasil, tem uma média de três milhões de ações trabalhistas por ano. O Citibank, que acabou de sair do Brasil, desistiu de trabalhar no Brasil, tinha no Brasil 2% dos seus negócios e 98% das ações. Não é por outro motivo que as nossas indústrias que precisam de mão de obra intensiva, que geram empregos, estão indo para o Paraguai. Quando não ficam importando tudo da China.

 
Tribuna – Qual o melhor caminho para aprovar essas reformas, sobretudo a da Previdência, sabendo do fisiologismo que continua pulsando dentro do Congresso Nacional?

 
José Carlos Aleluia – Tem que convencer a população de que isso é importante. Os políticos têm que vender que o compromisso tem que ser com o resultado, é claro que para o crescimento econômico são muitas coisas que tem que ser combinadas. Eu estou colocando na pauta uma coisa nova. O sistema financeiro brasileiro está doente, não é justo que se pense em fazer reforma Trabalhista e da Previdência e continue permitindo que os bancos continuem com a ‘boca de jacaré’. A taxa básica cai e a taxa que o banco cobra sobe, então abre a boca. Isso é uma coisa que está acontecendo nos últimos 12, 13 meses. Inclusive os bancos oficiais. É um sistema que precisa ser corrigido. Sem crédito não vai haver crescimento econômico, não há crescimento espontâneo. É preciso fazer toda uma correção. Correção de várias coisas, também a reforma Tributária, mas a prioridade é Previdência, Trabalhista, e no meu entendimento uma mudança no sistema financeiro, que está doente.

 
Tribuna – A Operação Lava Jato atingiu em cheio o presidente Lula e o PT. Agora mira suas garras para o PMDB e seus aliados. Qual a sua avaliação?

 
José Carlos Aleluia – Acho que é muito positiva a Operação Lava Jato, o Brasil precisava passar por isso, é preciso melhorar os padrões éticos da política, é preciso ser rápido para punir quem tem que ser punido e voltar os empregos. A Lava Jato não é responsável pelo desemprego, mas é claro que ela causa alguns incômodos nas empresas, e as empresas precisam ser reorganizadas. Mas ela é necessária e precisa do apoio de todos.

 
Tribuna – O seu receio é de que o as investigações hoje em andamento atinjam de alguma forma o presidente Michel Temer?

 
José Carlos Aleluia – Eu acredito que o presidente Michel Temer deverá ser citado, como muitos políticos vão ser citados, mas o presidente não se envolveu, inclusive, na própria captação de recursos para a campanha da Presidência. A minha expectativa é de que ele conclua o seu governo, que é um governo de transição, e que entregue o Brasil no rumo do crescimento, em 2018. Agora não pode ser como está aí, tem que aumentar a pauta.

 
Tribuna – Se o senhor pudesse agir como um conselheiro do presidente, permitiria que ele se submetesse ao desgaste que teve mudando a função do ministro Moreira Franco, copiando o esquema de Lula e Dilma?

 
José Carlos Aleluia – Na verdade, Moreira Franco já entrou no governo ministro. Não se caracteriza da mesma forma e o Supremo entendeu isso, não foi esse o objetivo. A Bahia também tem um caso, que não foi esse o objetivo. O governador quando levou Wagner, levou porque precisava de Wagner. Ele não era secretário, virou secretário depois. É o caso de Moreira, ele já estava no governo, se tornou importante e mudou. Não há motivos para ficar criminalizando as pessoas sem ter acusações. Não há acusação formal contra Moreira.

 
Tribuna – O que o senhor entende que pode ser o maior legado do governo Temer nesse curto mandato que ele tem nas mãos?

 
José Carlos Aleluia – Entregar o Brasil no rumo do crescimento. Para isso é necessário que hajam medidas de natureza macroeconômica e na área microeconômica. É necessário que haja leilão de petróleo na Petrobras, leilão de concessões, que se possa fazer ajustes para o Brasil voltar a crescer. Para você ter uma ideia, por exemplo, no setor automotivo o Brasil está derretendo porque não tem crédito. A área da construção civil também está derretendo. Se você permitir que os setores continuem derretendo, você não vai ter retomada do crescimento econômico. Não é só porque mexeu na Previdência, na reforma trabalhista, que você vai voltar a ter crescimento. Você precisa ter crédito, e o Brasil hoje tem o apagão do crédito. Não há crédito.

 
Tribuna – O que o senhor acha que é o principal erro e o principal acerto do presidente Temer e a sua equipe até agora?

 
José Carlos Aleluia – O principal acerto do governo é ter coragem de encarar as reformas econômicas. Os erros do governo são consequências da proliferação partidária e do fisiologismo que impera no Congresso.

 
Tribuna – O seu partido nacionalmente apoia o presidente Temer e o seu governo, existe alguma possibilidade de rompimento, ou a última repactuação dá tranquilidade até 2018?

 
José Carlos Aleluia – Nós não temos nenhum motivo para romper com o presidente, mas não significa que estaremos juntos em 2018. Será outro cenário, está muito cedo. Vamos apoiar o presidente Temer até 2018 e temos o ministério na nossa mão.

 
Tribuna – Qual a avaliação que o senhor faz da ascensão de Imbassahy à secretaria de governo da Presidência? A Bahia ganha ou perde, já que ele é um adversário político do governador Rui Costa?

 
José Carlos Aleluia – A Bahia perde com a saída de Geddel. A Bahia ganha com entrada de Imbassahy.

 
Tribuna – O senhor acredita que atuar em cantos opostos nesse momento pode dificultar o relacionamento com o governo do estado, ou as instituições terão maturidade suficiente?

 
José Carlos Aleluia – É preciso que a verdade seja dita. O governador tem sido infiel ao governo federal. Ele procura passar a ideia de que tudo que ele faz é do governo do estado, e não é. Na semana passada tivemos aqui a visita do ministro das Cidades visitando a obra federal do metrô de Salvador.

 
Tribuna – Qual a avaliação do senhor sobre o governo Rui Costa?

 
José Carlos Aleluia – A avaliação do governo Rui Costa é medíocre. É um governo que não consegue enfrentar as questões essenciais da existência do estado. Segurança pública na Bahia, não só em Salvador, mas em todo o estado, é uma lástima, um desastre. O governador não priorizou a paz das pessoas. É um dos pontos mais negativos do governo. Os resultados dos exames na área de educação da Bahia também são desastrosos. A Bahia está atrás de estados muito menos desenvolvidos, muito menos ricos. Na área de infraestrutura, o governo não tem nada para apresentar. O Nordeste da Bahia está morrendo de seca. No sertão baiano, as pessoas estão morrendo de sede, o governador finge que não é com ele. Não foi feita uma obra hídrica importante. Eu estou trabalhando fortemente no canal do sertão, seria um canal vindo de Juazeiro, alimentando Campo Formoso, Jaguarari, Bonfim, Jacobina, chegando até a Bacia do Paraguaçu. O governador não se preocupou em fazer nenhuma obra. Agora a seca chegou, e todo mundo sabia que a seca ia chegar. Eles estão no governo há 10 anos e não fizeram nada. Um governo medíocre.

 
Tribuna – Há uma fadiga de material do PT, na avaliação do senhor, ou o governador tem conseguido se posicionar como um bom gestor?

 
José Carlos Aleluia – Ele é muito bom de propaganda. O melhor secretário do governo dele é o de comunicação, André Curvello.

 
Tribuna – O senhor acredita que o prefeito ACM vai ter fôlego para se lançar na disputa em 2018?

 
José Carlos Aleluia – Fôlego ele tem, está aí agora, mas é claro que ele é um jovem e está empolgado com as coisas que vem fazendo. Na vida é fundamental gostar do que está fazendo, e o Neto é um apaixonado por Salvador. Ele tem que tomar uma decisão muito difícil que é abandonar a mulher amada.

 
Tribuna – O senhor aparece como um dos nomes, além do prefeito, para encabeçar essa disputa. Troca um mandato garantido de deputado federal por uma aventura como essa, caso seja necessário?

 
José Carlos Aleluia – Aventura, mas o nosso campo tem condição de vencer. Eu não sou candidato, fui candidato a deputado federal e quero conduzir o nosso partido e a nossa aliança à vitória, e a vitória mais tranquila é com Neto. Existem outros nomes, o PSDB tem nomes, os outros partidos, o PMDB tem nome, outros partidos podem querer lançar nomes, prefeitos do interior, lideranças não faltam. Agora Neto está a uma distância muito grande dos outros.

 
Tribuna – Qual a avaliação que o senhor faz do governo ACM Neto, já que o senhor foi integrante desse governo no início da gestão?

 
JoséCarlos Aleluia – Surpreendente. Surpreendente como ele conseguiu, reuniu uma equipe formada por pessoas mais experientes, pessoas jovens, conseguiu revelar talentos para a política baiana, a vida pública baiana, e como ele conseguiu fazer uma política austera e que no primeiro mandato praticamente se sustentou com recursos próprios, sem ajudas do governo federal e do governo estadual. Neto se mostra uma revelação da política brasileira. Não é à toa que se fala do nome dele para a política nacional, muito embora ele não esteja cogitando isso.

 
Tribuna – O que o senhor acredita que deve ser colocado como prioridade, já que muita coisa foi feita no primeiro mandato, mas muito há para fazer na cidade?

 
José Carlos Aleluia – Acho que ele vai continuar investindo na área de transportes, uma área importante que ele organizou, mas é preciso continuar investindo no BRT, na integração. Na educação nós avançamos muito, mas temos muito para avançar. A saúde foi muito bem, mas ele está fazendo um hospital. A prefeitura vai marcar a administração dela com a participação na área de saúde, que é uma coisa que tem um ponto fraco do governo estadual, e a prefeitura tem crescido muito nessa área. Por tanto, é institucionalizar a prefeitura, isso que ele está fazendo, formando quadros, organizando e pensando no futuro da cidade. O plano de desenvolvimento da cidade, acho que o Neto vai trabalhar com os programas de desenvolvimento urbano, uma coisa que cidades no mundo estão fazendo, fazer uma remodelagem urbana que enfrenta dificuldades na área de legislação, uma que ele pode fazer.

 
Tribuna – Como conciliar tantos interesses e demandas em um momento de crise e que o dinheiro está escasso?

 
José Carlos Aleluia – O dinheiro para ele é escasso, mas tem uma vantagem: ele se sustenta. Diferente do Rio de Janeiro, que está quebrado, e de estados que precisam tomar empréstimo para pagar custeio, o Neto gera, tem geração interna de recursos. Ele leva vantagem sobre os outros porque ele vai conseguir recursos suplementares que serão direcionados a investimentos.