“O PT foi o partido que mais perdeu”, destaca Aleluia

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Por Osvaldo Lyra, Fernanda Chagas e Guilherme Reis.

Presidente do Democratas na Bahia, o deputado federal José Carlos Aleluia acredita que a vitória do prefeito ACM Neto (DEM) nas urnas foi um acontecimento “natural”, já que a primeira gestão do correligionário foi considerada uma das melhores do país. Aleluia destaca as obras nas áreas de saúde e educação como as principais realizações do alcaide. “Melhoria da educação, principal obra do prefeito.

A cidade de Salvador tem um saldo inimaginável dos resultados concretos na avaliação dos índices da educação municipal. Essa é, disparada, a principal obra dele. Também teve a melhoria da saúde. Ele conseguiu implantar nove UPAs e colocá-las em funcionamento”, declarou. Nesta entrevista, o democrata também avalia o crescimento apresentado pelo partido nas últimas eleições e a derrota de um dos maiores adversários, o PT. Sobre 2018, disse que não é o momento para tratar do assunto.

“O Democratas volta a ser visto como protagonista nacional, e podemos analisar a possibilidade de concorrer à Presidência.”

Tribuna da Bahia – Como viu o resultado da eleição que garantiu a vitória de ACM Neto com 74% dos votos?
José Carlos Aleluia – Como uma consequência natural do trabalho que ele e sua equipe desenvolveram durante quase quatro anos. Passou a ser uma referência de administração e mostrou que o povo tem uma percepção clara do que é governar bem e a importância de ter um governo municipal eficiente.

Tribuna – Os adversários do prefeito dizem que ele caprichou na maquiagem e pouco fez obras estruturantes. Na sua visão, quais as três principais obras que marcam essa primeira gestão?
Aleluia – Melhoria da educação, principal obra do prefeito. A cidade de Salvador tem um saldo inimaginável dos resultados concretos na avaliação dos índices da educação municipal. Essa é, disparada, a principal obra dele. Também teve a melhoria da saúde.

Tribuna – Na sua visão, a geração de emprego e renda deve ser uma prioridade do próximo mandato?
Aleluia – Ele colocou isso como prioridade. Claro que não é uma ação que depende principalmente do cenário nacional e do cenário estadual, mas claro que o prefeito também pode dar a sua contribuição. O clima que vivemos é muito hostil à geração de emprego. Para uma boa iniciativa é preciso que o índice de desemprego no Brasil, sobretudo entre os mais pobres, seja igual. Para se ter uma ideia, o índice de desemprego entre os mais ricos é da ordem de 2%, enquanto entre os mais pobres é da ordem de 21%.

“ACM Neto passou a ser referência de administração e mostrou que o povo tem uma percepção clara do que é governar bem e a importância de ter um governo municipal eficiente”

Tribuna – Como o senhor vê o resultado do Democratas nas eleições no Estado?
Aleluia – Superou as expectativas. Tivemos quase o dobro de votos em relação ao segundo colocado em Salvador, Feira, Itabuna, Camaçari, Alagoinhas e Barreiras. Realmente, foram vitórias expressivas e os nossos aliados também foram muito bem. Estamos caminhando para ganhar Conquista, o PMDB também ganhou em Simões Filho, temos um trabalho muito grande. Isso se deve ao partido, de modo geral, mais à existência de uma liderança política emergente e muito forte, não só em Salvador como em outros locais.

Tribuna – O PT foi o maior derrotado nessa eleição?
Aleluia – No Brasil, o PT foi o partido que mais perdeu, e na Bahia também. É natural, considerando o modelo de governo do PT, que é populista. Falei essa semana na Câmara dos Deputados que os governos populistas, comunistas, eles terminam quando termina o dinheiro dos outros. E no Brasil acabou o dinheiro dos outros e o que sobrou foi desemprego nacional, já superou 12 milhões de desempregados, caminhando para 14. E nada foi feito.

Tribuna – O resultado nas urnas também enfraquece o governador Rui Costa?
Aleluia – Sem dúvida. O governador se empenhou muito nas eleições, envolveu-se exageradamente, e não foi só na de Salvador, e ao ver a derrota da sua candidata, enfraquece a sua condição de vida política. Rui se torna refém, com isso, do PP e do PSD para a eleição de 2018, já que foram os dois partidos da base aliada que mais elegeram? Esses partidos elegeram mais porque os candidatos foram para esses partidos para não ostentarem a sigla do PT, que sofre desgaste desde as eleições de 2014. Então, esses partidos ficaram fortes, e o governador vai ter que trabalhar para costurar isso, o que não é uma coisa fácil.

“Salvador tem um saldo inimaginável dos resultados concretos na avaliação dos índices da educação municipal. Essa é, disparada, a principal obra de ACM Neto”.

Tribuna – E quais os planos para 2018? O prefeito ACM Neto é candidato natural à eleição?
Aleluia – Acho que agora temos que tratar mais de governar. 2018 vai ser deixado para 2018.

Tribuna – O senhor acredita que o resultado das eleições em todo o país sepulta o discurso de golpe da oposição e aliados?
Aleluia – Chega a ser uma piada esse discurso de golpe. Não pegou legitimidade nenhuma.

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Tribuna – Como o senhor avalia o ressurgimento do Democratas após a eleição de Rodrigo Maia na Câmara e a vitória do prefeito ACM Neto como segundo mais votado do país?
Aleluia – O partido volta a ser visto como protagonista nacional, e podemos analisar a possibilidade de concorrer à Presidência.

“O governador se empenhou muito nas eleições, envolveu-se exageradamente […]. Rui se torna refém, com isso, do PP e do PSD para a eleição de 2018”.

Tribuna – Acredita que o DEM pode romper com o PMDB e apresentar um projeto próprio em 2018?
Aleluia – Não se trata de romper. O presidente Temer tem e vai ter nosso apoio. É um governo de transição, que está enfrentando todas as dificuldades. Sobre 2018, não houve nenhum compromisso firmado com ele, pode até ter. Não foi discutido nada em relação a 2018 e o próprio presidente Temer não quer discutir, ele está preocupado em levar o país à retomada do crescimento.

Tribuna – Como avalia esse começo de governo de Michel Temer?
Aleluia – A confiança da população e dos investidores, tanto nacionais, quanto internacionais, já melhorou. O governo passou muito tempo como interino, teve pouco reflexo. Essa semana comecei a receber informações de eventos que estão acontecendo nos Estados Unidos, Europa, na Ásia, e há um interesse muito grande pelo Brasil. E isso é fruto da retomada de confiança no governo do presidente Michel Temer, e se ele conseguir aprovar a PEC do emprego, ele com certeza vai dar uma turbinada na economia, vai gerar mais empregos e vai retomar a confiança

Tribuna – Acredita que a PEC 241, que limita os gastos públicos, vai conseguir uma maioria confortável para obter aprovação?
Aleluia – Acredito que sim, porque a população quer, e os deputados normalmente seguem a população. Não se trata apenas de votar para o governo, mas de votar para a PEC do emprego. Se votar contra isso, vai estar votando contra o emprego.

“Falei essa semana na Câmara que os governos populistas, comunistas, terminam quando termina o dinheiro dos outros. No Brasil acabou o dinheiro dos outros. E sobrou o desemprego”

Tribuna – Além dessa PEC, quais são os maiores desafios do governo Temer?
Aleluia – Se ele definir o controle dos gastos públicos, as outras coisas são consequências. A reforma da previdência não gera resultados imediatos, então não deve ser tratada agora. O que deve ser tratada agora é a limitação dos gastos, depois vamos tratar de outras coisas. Vamos tratar também da captação de investimentos, concessão de serviço público, deixar claro que no Brasil há espaço para investir. Começar a mostrar que há uma nova governança nos fundos de pensão, nas agências reguladoras, isso gera confiança e emprego.

Tribuna – E a operação Lava Jato, qual a sua visão sobre os desdobramentos, que atingiram o ex-presidente Lula?
Aleluia – Não é uma operação para atingir Lula. É uma operação que tem que ser feita. Doa a quem doer. É um trabalho que o Judiciário está fazendo e não há por que um brasileiro não apoiá-lo. Todos devem apoiá-lo. Quem quer um Brasil novo não pode ser contra a operação, não há por que alguém aparecer e dizer que é contra. A não ser que tenha algo para esconder debaixo do tapete.

Tribuna – A delegada responsável pela Lava Jato disse que há uma pressão nos meios políticos e jurídicos contra a operação. Como avalia isso?
Aleluia – Avalio como ilegítima, no meio político. No meio jurídico os advogados têm o seu papel, porque todo acusado tem o direito de ter uma boa defesa.

“Essa semana comecei a receber informações de eventos que estão acontecendo nos Estados Unidos, Europa, na Ásia, e há um interesse muito grande pelo Brasil”.

Tribuna – Muitas pessoas investigadas na operação estão diretamente ligadas a Michel Temer. Isso pode de alguma forma fragilizar o presidente?
Aleluia – Não. O presidente já deixou bem claro que não se deixaria levar por especulações. Alguns ministros foram afastados, mas ele não vai sair afastando aqui e acolá só porque saiu alguma gravação ou algo do tipo. Mas tenho certeza que se houver algo concreto ele vai afastar.

Tribuna – Há muita crítica aos vazamentos de informação que atingem diretamente o PT e nomes do PSDB estão completamente ilesos. Como avalia isso?
Aleluia – Existe investigação contra todo mundo. Agora, o Ministério Público e o Judiciário não podem direcionar quem será e quem não será acusado. Ninguém é blindado. Mas não se deve condenar antecipadamente. Você nunca vai me ver querendo a condenação antecipada do presidente Lula, sempre digo que ele tem o direito de se defender e ninguém pode condená-lo antecipadamente. E ninguém pode blindá-lo.

Tribuna – Quando o país vai começar a perceber sinais de mudança e do fim da crise?
Aleluia – Vai depender do Congresso. Se o Congresso não tiver disposição para enfrentar e oferecer as mudanças que o Brasil precisa, vamos continuar a caminhar para o abismo. Sou otimista. Acho que o Congresso vai responder, mas enquanto o Congresso não agir, as mudanças não virão. Todos estão esperando ansiosamente que essas mudanças aconteçam, e se não acontecerem, a situação ficará muito ruim para a população. Quem está sofrendo é o povo. O Congresso acabou de aprovar as mudanças na exploração do Pré-sal, e se essa semana for aprovada em primeiro turno a PEC do emprego, dará sinais de que há um novo cenário no Brasil.

“Se o Congresso não tiver disposição para enfrentar e oferecer as mudanças que o Brasil precisa, vamos continuar a caminhar para o abismo. Mas sou otimista.”

Tribuna – Qual a mensagem que deixa para a população de Salvador e da Bahia nesse momento pós-eleição?
Aleluia – Em relação a Salvador, temos agora que voltar a trabalhar, e digo para os baianos serem otimistas, mesmo diante das dificuldades. O governo do presidente Michel Temer pode ser um governo de mudanças, ele aos poucos vai adquirindo a confiança das pessoas. Isso vai acontecer na medida em que mudarem as expectativas, que vêm antes das mudanças efetivas. Até pouco tempo, todo mundo achava que o Brasil continuaria descendo a ladeira, agora há a expectativa que ele mude.

Entrevista publicada na edição do dia 10/10/16 do jornal Tribuna da Bahia